27/04/2015

NYIOOC - New York International Olive Oil Competition 2015 e os Azeites Premiados

Foi divulgado na quinta-feira dia 16 de abril, o resultado da mais badalada competição de azeites extra virgens do mundo.  Com uma forma abrangente de avaliação, este já famoso evento oleícola premia por níveis mínimos de pontuação para conceder medalhas de ouro, prata e bronze.   Conduzidos por três líderes; Dra. Brígida Jimenez Herrera (Espanha), Sra. Eleftheria Germanaki (Grécia) e Dr.  Giuseppe di Lecce (Italia), um painel internacional de jurados, formado por mais 12 especialistas de diversos países produtores, julgou e pontuou mais de 700 rótulos de todo o mundo, formando uma lista de 238 premiados que podemos considerar como os melhores extra virgens da safra 2014/2015.  Foram 24 categorias distintas: por intensidade de blends (leve/médio/intenso), por intensidade de monovarietais (leve/médio/intenso) e essas por hemisfério (norte/sul) e por cultivo (convencional/orgânico).

Apenas em sua terceira edição, a competição já rivaliza com o pioneiro e mais importante guia dos melhores extra virgens, FLOS OLEI, publicação italiana do especialista Marco Oreggia, cujos critérios de pontuação se assemelham.

A novidade é que os organizadores da competição norte-americana criaram uma rede, centralizada no site http://nyoliveoil.com, onde pode-se obter informações sobre todos os azeites extra virgens premiados no ano, seus canais de comercialização, perfil dos produtores ou envasadores.  No mesmo site, através de assinatura foi possível assistir às conferências ao vivo e o concorrido dia do anúncio dos ganhadores, com o auditório do International Culinary Center lotado, foi acessado por dezenas de países simultâneamente, com grande interesse da imprensa internacional.

Inúmeros azeites premiados são comercializados no Brasil, vale a pena conferir a lista dos 238 rótulos no link http://www.bestoliveoils.com/page/14/, todos separados por categoria.  Há azeites do mundo inteiro para os mais variados gostos!  Uma excelente referência para profissionais da culinária, comerciantes e apaixonados em geral.

O Brasil não está representado na competição, não pela qualidade do que estamos realizando, mas pela quantidade.  Ainda não chegamos ao mínimo exigido para participar, mas estamos no caminho.  Aliás, entre os próximos dias 6 e 9 de maio estaremos representados no Salão Internacional do Azeite Extra Virgem dentro da EXPOLIVA 2015, por 5 rótulos de azeites do nosso país.  Isso é assunto para outro artigo que escreverei na proximidade do evento.

O fato é que azeite extra virgem gera cada vez mais interesse e conhecê-lo profundamente é uma absoluta novidade no mundo.  Sua diversidade sensorial corresponde a características nutricionais que nos informam sobre uma riqueza imensurável.  Um importante alimento funcional gerador de uma cultura milenar rica e diversa, cheio de significados e que nos proporciona saúde e bem estar.
Neste mundo que perde referências, taí um bom fio dourado para nos conduzir. 






Sra. Lina Smith e Dra. Brígida Jimenez Herrera


18/03/2015

Mario Solinas, a mais esperada premiação internacional de Azeites Extra Virgens

No início desse mês foi anunciado o mais esperado resultado dos concursos internacionais de azeite: "MARIO SOLINAS QUALITY AWARDS".  Os principais produtores mundiais, com exceção da Turquia, competiram com distintas quantidades de amostras, Grécia (4), Israel (1),  Itália (1), Marrocos (2),  Portugal (34), Espanha (64) e Tunísia (5), totalizando 101 azeites participantes.

Neste ano agrícola difícil para todos, a Itália, país tradicional na produção da qualidade, teve sua colheita duramente atingida, assunto de artigo postado em novembro de 2014 nesse blog (http://estilogourmetazeite.blogspot.com.es/2014_11_01_archive.html), e foi representado por apenas uma amostra. Os espanhóis e os portugueses, países que igualmente avançam com estudos, pesquisas e educação sensorial, reinaram absolutos entre todos os finalistas desse ano.


A regra do concurso é clara e simples, extra virgens podem ser inscritos por produtores individuais, cooperativas, associações e envasadores em qualquer país produtor. Há exigências quanto ao mínimo produzido e o tanque checado por auditores é lacrado e assim permanece até o dia do anúncio do resultado, quando então é autorizado o deslacre e o produtor premiado tem o direito de engarrafar o azeite daquele tanque, anunciando o prêmio no rótulo com uma logo especial do Conselho especialmente para este propósito.  Ainda de acordo com  as regras do concurso, os azeites inscritos são classificados de acordo com a intensidade média de frutado, em quatro categorias: frutado verde intenso, cuja nota deve ser maior que 6, frutado verde médio, cuja nota deve ser entre 3 e 6, frutado verde leve, cuja nota deve ser menor que 3 e, finalmente a categoria de frutado maduro.
Um painel internacional seleciona o vencedor do primeiro prêmio em cada seção de acordo com um ficha de degustação, onde são avaliados os aspectos olfativos, gustativos e sensações retronasais, bem como harmonia, complexidade e persistência.  Os jurados também propõem vencedores de segundo e terceiro prêmio e finalistas, mas não se propõe finalistas para a categoria de frutado verde leve.

Confiram os premiados:


PRIZE WINNERS OF THE FIRST EDITION 2015

First prize 

Intense green fruitiness:  Finca La Torre - Finca la Reja, S.L. – Boadilla (Málaga) - Spain
Medium green fruitiness: SCA Almazaras de la Subbética – Carcabuey (Córdoba) - Spain
Mild green fruitiness: Casa de Santo Amaro, Heredeiros de Manuel Alberto Ferraz de Sousa Ataíde Pavão, Sucçães (Mirandela) - Portugal

 Ripe fruitiness: Victor Guedes, S.A., Abrantes - Portugal



Second prize 


Intense green fruitiness:  Casas de Hualdo, S.L., Madrid - Spain
Medium green fruitiness: Almazara de Muela, S.L., Priego de Córdoba (Córdoba) - Spain
Mild green fruitiness:  Lameira de Cima, S.A., Ferreira do Alentejo - Portugal
Ripe fruitiness: Sociedade Agrícola Quinta da Lagoalva de Cima, LDA, Alpiarça - Portugal


Third prize 


Intense green fruitiness:  La Inmaculada Concepción, S.C.A. de Oleoestepa, La Roda de Andalucía (Sevilla) - Spain
Medium green fruitiness:  Aroden, S.A.T., Carcabuey (Córdoba) – Spain
Mild green fruitiness:  Olivarera de Pedrera, S.C.A. de Oleoestepa, Pedrera (Seville) - Spain
Ripe fruitiness: Explotaciones Agrícolas Páramo de Valcuevas, S.L.U., Medina de Rioseco (Valladolid) - Spain



FINALISTS 

Intense green fruitiness:


1st                      Rafael Alonso Aguilera, S.L. – Oro del Desierto – Tabernas (Almería) - Spain 
2nd                    Aceites Oro Bailén – Galgón 99, S.L. – Villanueva de la Reina (Jaén) - Spain 
3rd                     El Labrador, SAT- 8064, Fuente de Piedra (Málaga) - Spain 

Medium green fruitiness:


1st                      Sovena – Portugal Consumer Goods, S.A., Azambuja - Portugal
2nd                    Cooperativa de Olivicultores de Valpaços, C.R.L., Valpaços - Portugal 
3rd                     Casa Agrícola Roboredo Madeira, S.A. – CARM – Almendra - Portugal 


Ripe fruitiness:


1st                     Fio da Beira – Produção e Comercialização de Azeites, Lda., Reta da Esteveira 
                         - Pedrão -Portugal
2nd                   Olivarera de Casariche, S.C.A. de Oleoestepa, Casariche (Sevilla) - Spain 
3rd                    Ulysse Agro-Industries, Ben Arous – Tunisia 


A cerimônia de premiação ocorrerá no dia 29 de junho de 2015 durante a Fancy Food Show na cidade Nova Iorque nos Estados Unidos.
O trabalho de aperfeiçoamento da qualidade da produção do azeite extra virgem segue firme em seu caminho e se expande em todo o mundo.  É uma cultura ancestral em transformação e vivemos esse momento único de muitas descobertas.  O Brasil segue na mesma estrada e, seguramente, nossa saúde e qualidade de vida serão beneficiadas.  Avante!






15/02/2015

Azeites Brasileiros, a Bocaina dá início a colheita

Em meio ao verão tropical do sudeste brasileiro, foi dado início, no fim de janeiro, à colheita anual das azeitonas e à produção do azeite de oliva nacional.  Até onde tenho notícia, o terroir da Serra da Bocaina foi o primeiro a colher as variedades Arbequina e Grappolo, cujos azeites apresentam interessante complexidade e evolução.

O lagar do Olivais da Bocaina


Situada a 229 km de São Paulo e 233 km do Rio de Janeiro, a 1.260 mts de altitude na Serra da Bocaina no Estado de São Paulo, a Fazenda Ronco D'Água dedica-se à olivicultura desde 2007 e foi no ano de 2011 que realizou sua primeira extração experimental com resultado muito satisfatório sensorialmente.  Em 12 hectares, com 3.500 árvores, sua produção concentra-se principalmente nas variedades Arbequina (1.680 unidades), Grappolo (880 unidades) e Koroneiki (600 unidades), estendendo suas experiências às variedades Arbosana (200 unidades), Maria da Fé (100 unidades) e Ascolana (40 unidades).  Em área sujeita à constantes chuvas de granizo no momento do crescimento e amadurecimento dos frutos, o produtor responsável, Anibal Cury, sob orientação da consultoria do engenheiro agrônomo Nilton Caetano, cobre suas árvores com uma rede protetora, adicionando uma poética imagem ao já inusitado olival subtropical da Mata Atlântica.

Proteção contra as chuvas de granizos


No ano de 2015, cuja colheita está em curso, estima-se uma produção de 3.000 kg de azeitonas, o que resultará em aproximadamente 450 litros de azeite.
Do azeite já extraído da variedade Arbequina, uma interessante característica de fruta madura, com notas de banana e maçã, sabor herbáceo, amendoado, quase doce, com leve amargo e picante em equilíbrio parece traduzir a essência do terroir.  A variedade Grappolo, em sua intensidade de fruta verde, folhas, alcachofra e tomate, sabor marcadamente amargo e verde com persistente picante tem complexidade reduzida, mas grande potencial de evolução, pois degustei-os no dia seguinte à sua extração.

As variedade Grappolo (acima) e Arbequina (abaixo)



O fato é que, a produção brasileira cresce e evolui.  Bocaina, Mantiqueira, Santana do Livramento, Cachoeiras do Sul, Caçapava do Sul, Santa Maria, Formigueiro, Lavras do Sul, entre outras regiões desenvolvem o cultivo e buscam a produção da azeitona de mesa e de azeite.  Nosso país no ano agrícola de 2013/2014 atingiu o volume total de importação de 80.000 toneladas, tornando-se um dos principais consumidores mundiais.  A medir pelo potencial de harmonização com nossa culinária, proporcionalmente à importância funcional desse ancestral alimento, a produção e o consumo crescerão na mesma medida.   

No Senac Rio, com  o apoio da Gerência de Gastronomia, estamos criando produtos educacionais para expandir esse rico conhecimento e, em sinergia com as produções gastronômicas regionais, vamos unir forças.  Aprender a consumir esse rico ingrediente em todos os processos culinários e nas finalizações é o caminho... Avancemos!

                      No restaurante do Chef Ocílio Ferraz, pesquisador da comida regional tropeira